Vanessa Leite Braz
Sumaré, 2019

É muito comum nos depararmo-nos com inúmeros testemunhos de pessoas que, depois de abrirem o seu coração, tiveram uma experiência forte com Jesus. E, após essa experiência, vivemos um período intenso em nossas vidas. É como se tivéssemos a sensação de estar experimentando o Céu aqui na Terra e queremos que todos ao nosso redor também tenham essa experiência com Jesus. Isso é uma característica da manifestação do amor de Deus, é o agir do Espírito Santo em nossas vidas [1].
Infelizmente, também é comum vermos que algumas dessas pessoas voltam a viver a vida que viviam antes, caindo novamente na escravidão do pecado. Mas aí você pode se perguntar: Por que isso acontece?
Depois da primeira experiência que temos com Jesus, é necessário que tenhamos um amadurecimento nessa relação, porque o fato de sermos cristãos não nos blindará das provações, das tentações e dos desertos desse mundo, mas, sim, nos dá a fé de que não seremos abandonados [1]. Assim como disse Jesus no Evangelho de São Mateus: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20).
Mas, para que possamos ter uma continuidade desse efeito da nossa experiência com Cristo, devemos consolidar a nossa fé e praticar o Evangelho de Cristo, porque, segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC): “a fé e a prática do Evangelho proporcionam a cada fiel uma experiência de vida ‘em Cristo’, que o ilumina e o torna capaz de apreciar as realidades divinas e humanas, segundo o Espírito de Deus” (CIC, n. 2038). Podemos perceber então, que a fé e a prática do Evangelho são os pilares para que a nossa perseverança no sim a Deus realmente aconteça.
A fé é como uma busca constante pela compreensão, assim como, segundo o adágio de Santo Agostinho, “eu creio para compreender, e compreendo para melhor crer” (CIC, n. 158).
Essas palavras de Santo Agostinho podem nos parecer confusas ao primeiro olhar, mas, para compreender o que ele quer dizer, devemos entender uma característica da fé. A Igreja nos ensina que a fé é uma graça:
A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. Para que se possa manifestar esta fé, é necessária a graça de Deus, que provê e socorre, e a ajuda interior do Espírito Santo, que move o coração e o leva a Deus, abre os olhos da mente e confere a todos “a docilidade no consentimento e na crença da verdade”. (CIC, n. 153)
Já a prática do Evangelho de Cristo é algo que se torna necessário em todo esse processo de perseverança, porque se trata da Palavra de Deus para nós, é a força dada por Ele para a nossa salvação (CIC, n. 124). E isso acontece porque o Evangelho nada mais é do que “o principal testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador” (CIC, n. 126). Ou seja, o Evangelho de Cristo é o testemunho mais perfeito, é o que devemos nos esforçar para imitar ao longo da nossa vida.
Os santos também nos ensinam a importância dos ensinamentos contidos no Evangelho. Santa Cesária, por exemplo, nos diz que “não existe nenhuma doutrina que seja melhor, mais preciosa e mais esplêndida que o texto do Evangelho” (CIC, n. 127). Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, por sua vez, afirma que: “Nele [no Evangelho] encontro tudo o que é necessário para a minha pobre alma” (CIC, n. 127).
Para que consigamos viver, crescer e perseverar na fé, nós devemos alimentá-la com a Palavra de Deus. E também devemos suplicar a Deus que a aumente até o fim dos séculos (CIC, n. 162). Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face nos reforça a importância da oração, uma vez que “a oração um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”.
Devemos lembrar sempre que a oração é uma necessidade vital para nós, pois é através da oração que permitimos que o Espírito Santo nos conduza.  Não conseguiremos mantê-Lo presente na nossa vida, se o nosso coração estiver longe Dele (CIC, n. 2744).
É o nosso convívio diário e verdadeiro com Deus, através da nossa vida de oração solidificada, que nos permite buscar nossa santificação, pois, apesar de estarmos em um mundo que nos apresenta a escravidão do pecado como algo bom, é a nossa certeza de que ser perseverante em nosso sim a Deus nos trará a maior das recompensas: poder contemplar face a face a glória de Deus!

Referências Bibliográficas

[1] ASSIS, Daniel Machado de. Perseverança, segredo de uma caminhada em Deus. Disponível em: <https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/perseveranca-segredo-de-uma-caminhada-em-deus/>. Acesso em: 05 nov. 2019.