por: Helder Henrique

  1. A importância de ter a morte em mente

Meus caros irmãos, hoje conversaremos sobre determinadas realidades da vida – ou morte – eterna. Como sempre se ouve dizer, a morte é a única certeza que temos nessa vida. As pessoas que não conhecem e não amam a Deus temem a morte, mas conosco não deve ser assim. Ela não estava nos planos de Deus, mas entrou no mundo por inveja do demônio (ver Sb 1, 13ss; 2, 23).

Nós somos constituídos por uma alma espiritual e um corpo material. A morte de alguém se dá no exato instante em que alma e corpo se separam. Ela sempre foi motivo de reflexão, algo enigmático. Se para muitos homens a morte é motivo de medo, de inquietação, para nós ela possui um sentido positivo.

Cristo renovou todas as coisas e a morte se tornou a passagem definitiva para a posse da vida de Deus, da Santíssima Trindade. Nesse sentido, quando pensamos na morte, devemos ter esperança de encontrar o Deus que tanto amamos nessa vida. O que precisamos tirar disso é: A MORTE NOS COLOCA NUM ESTADO DEFINITIVO E IMUTÁVEL. Ou seja, no estado em que estivermos na hora da nossa morte – na graça ou na inimizade com Deus –, passaremos a eternidade. Precisamos aproveitar bem o tempo que Deus nos concedeu, pois não existirá outra vida para consertar nossos erros, para amar a Deus de todo o coração e com todas as forças de nossa alma. Saberemos se a nossa resposta a Deus é generosa ao refletirmos: e se eu morresse hoje? E se fosse agora? 

CIC 1014: A Igreja exorta-nos a prepararmo-nos para a hora da nossa morte («Duma morte repentina e imprevista, livrai-nos, Senhor»: antiga Ladainha dos Santos), a pedirmos à Mãe de Deus que rogue por nós «na hora da nossa morte» (Oração da Ave-Maria) e a confiarmo-nos a S. José, padroeiro da boa morte: «Em todos os teus atos em todos os teus pensamentos, havias de te comportar como se devesses morrer hoje. Se tivesses boa consciência, não terias grande receio da morte. Mais vale acautelares-te do pecado do que fugir da morte. Se hoje não estás preparado, como o estarás amanhã?» (599).«Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal, à qual nenhum homem vivo pode escapar. Ai daqueles que morrem em pecado mortal: Bem-aventurados os que ela encontrar a cumprir as tuas santíssimas vontades, porque a segunda morte não lhes fará mal» (600). 

  1. Os novíssimos da fé

Ao contrário do que muitas filosofias modernas dizem, nós acreditamos que existem realidades após a morte. A Igreja utiliza a expressão “novíssimos”, termo que diz respeito às realidades últimas que estão à espera de todo ser humano depois de sua morte. Novíssimos quer dizer “último” ou “final” em alguma ordem de coisas. Assim diz o Eclesiástico: “Lembra-te dos teus novíssimos e jamais pecarás” (Eclo 7, 40).

Percebam a importância de pensarmos sobre a morte e a realidade vindoura para sermos mais fiéis. São quatro os novíssimos da fé, sendo que dois deles todos passaremos (os juízos particular e final) e outros dois que são escolhas feitas nessa vida (Céu ou inferno). Claro que o Purgatório também entra aqui, mas vamos dizer que ele estaria “anexo” ao Céu. Falaremos mais sobre isso em seguida.

  1. Juízo particular

Assim que morrermos, nos apresentaremos diante de Deus e “seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz). Ou seja, a nossa alma receberá uma sentença eterna, de acordo com o amor com que tivermos feito as nossas obras. Todos nós prestaremos contas a Deus a respeito do que fizemos com o nosso corpo e receberemos a recompensa devida de nossas escolhas. Depois disso não há mais volta, meus caros. Por isso precisamos aproveitar bem o tempo que nos resta nessa Terra e rogar à Santíssima Virgem que nos conceda a fidelidade “agora e na hora da nossa morte”. No juízo, Deus nos mostrará as nossas obras a partir do olhar dEle e compreenderemos o que fizemos de bom e de ruim… Nos enganamos ao imaginar que o juízo particular é como um julgamento em um tribunal humano. Nesse juízo não teremos demônios nos acusando e o anjo da guarda nos defendendo. Deus conhece todas as coisas, inclusive nossas ações. Ele só permite que as enxerguemos. Assim, a sentença que recebemos de Deus é apenas uma ratificação da escolha que fizemos nessa vida.

Percebam que Deus não invade a nossa liberdade. Ele quer ser amado livremente por cada um de nós. Mesmo quando escolhemos não ama-Lo, Ele respeita e continuará amando. Ele é justo e respeita as nossas escolhas. É por isso que precisamos SEMPRE pedir-Lhe a graça da fidelidade, de correspondermos à sua chamada.

Antes de falar sobre o Céu, o inferno e o purgatório, penso ser necessário dizer-lhes que esses não são “lugares”, mas estados da alma em relação à Deus. Jamais podemos pensar que o inferno é um lugar de sofrimento e que em algum momento sairemos de lá, ou ainda, que as pessoas que “estão” no Céu podem pecar. Não! Isso é importante para evitarmos confusões, como querer rezar pela conversão do demônio, ou para que alguma alma que está no inferno “saia” de lá.

  1. O Céu

“Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo” (CIC, 1023). O Céu é a realização de todas as nossas aspirações mais profundas, é a felicidade plena e definitiva na presença de Deus, dos Santos Anjos, de Nossas Senhora e dos Santos. O Céu é o estado de plena felicidade da alma daqueles que fizeram bom uso de sua liberdade, buscando corresponder de forma generosa aos planos divinos. A alma, nesse caso, está em plena felicidade porque está na presença de Deus, sem as limitações do pecado, dos vícios ou de imperfeições. A alma possui a própria Santíssima Trindade, contempla a Deus face a face, possui o Seu Próprio Criador, num lindo mistério de Amor. No Céu, tudo é novo, tudo é belo!

“O Céu é a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a ele” (CIC, 1026). Imagine que nessa comunidade você poderá contemplar a Face de Nosso Senhor Jesus Cristo ao lado dos seus santos de devoção, ao lado do cônjuge e dos amigos que Ele colocou ao teu lado para O buscarem unidos… Imagine que nessa comunidade estarão os Santos Mártires dos primeiros séculos, que derramaram o seu sangue para que nós pudéssemos ouvir hoje o Evangelho. Imagine estar ao lado de um São Pio de Pietrelcina, de São José de Anchieta, São Matias, Santa Catarina de Sena, Santa Teresinha, da Mãe de Deus… Que belo é o Céu!

Precisamos ter isso em mente para não abandonarmos o Caminho. “O que os olhos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (I Cor, 2, 9). Em um de seus sonhos, São João Bosco contemplou o Céu. Guiado por São Domingos Sávio ele ficou impressionado com a beleza celeste, ainda que o tenha contemplado de forma muito distante. Nós precisamos muito lutar para alcançar o Céu, para possuir a Deus eternamente. Ainda que não vejamos o Céu como São João Bosco, peçamos ao Senhor que nos aumente a fé, pois “bem-aventurados os que creram sem terem visto” (Jo 20, 19-31). Busquemos a Deus com força, mas não caíamos na tentação de que teremos o Céu somente pelas nossas próprias forças, como dizem os espíritas. O Céu, a união com Cristo, é uma graça. Entretanto, se é verdade que “é necessário passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” ( At 14, 22), a “escada do Paraíso”, antes de ser subida pelos homens, foi descida pelo próprio Deus. Foi o Senhor quem se inclinou ao homem e inclinou a escada dos céus, para que ele a pudesse subir mais facilmente – Ele, que “humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de Cruz” (Fl 2, 8). De fato, antes que o homem desse o primeiro passo em direção ao Altíssimo, Ele mesmo saiu dos altos céus e veio em seu auxílio, com a Sua graça. Por isso, a resposta do homem a essa misericórdia de Deus só pode ser o amor – o amor de quem sobe uma escada firmando os “braços cansados” e “os joelhos vacilantes” (Is 35, 3), com o coração ansioso em contemplar o Senhor e possui-Lo plenamente na eternidade.

Suportemos tudo por amor a Cristo! Lembremo-nos que, por meio dos Sacramentos, já vivemos antecipadamente esse gozo celeste. Tu queres fazer o que no Céu se ainda não ama o Senhor que se derrama na Santíssima Eucaristia? O que é que você está esperando para estar com Ele hoje, agora? Por que não se esforçar para assistir a Missa em outros dias além do domingo? Qual a desculpa? Corre! Vá agora, hoje! Com alegria, com fervor! Digo isso porque no Céu nós receberemos, além da alegria da visão beatífica, as alegrias acidentais (bens da inteligência, da vontade, do corpo, da convivência celeste). Ou seja, quanto mais eu buscar a Deus, mais me alegrarei de estar em Sua Presença. É a velha história do copo ou o caminhão de água!

  1. A purificação final ou Purgatório

“Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados,

embora tenham garantida a sua salvação eterna, passam, após a sua morte, por uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do Céu” (CIC, 1030). História da Santa que “morreu” e o corpo nem havia esfriado, encontrando-se em grande sofrimento no purgatório.

Paradoxalmente, o purgatório é o estado de purificação da alma que, ao mesmo tempo, encontra-se em grande sofrimento e em grande paz, só não maior do que a daqueles que estão no Céu! Santo Tomás de Aquino dizia que o menor sofrimento no purgatório é maior do que qualquer sofrimento na Terra. O maior sofrimento já visto na Terra foi aquele que Cristo passou em sua Paixão e morte na Cruz. Agora, precisamos pensar: se o menor sofrimento no purgatório é assim, quanto devo lutar para alcançar o Céu diretamente?

Por outro lado, as almas do purgatório gozam de grande paz porque receberam de Deus a sentença de gozarem eternamente de sua Presença Santíssima.

Para esperar a Salvação precisamos compreender que Deus é Santíssimo. Ele mereceu para nós a Salvação, de uma vez por todas, para nos abrir as portas do Paraíso. Em Cristo aconteceu a Salvação objetiva: Ele nos proporcionou todos os meios para alcançarmos a Salvação. Entretanto, existe também a Salvação subjetiva, ou seja, precisamos acolher a Salvação individualmente. Mesmo tendo fé podemos perceber em nós a inclinação para o pecado, um apetite para o mal (concupiscência), ainda que Cristo nos tenha libertado do pecado. A concupiscência em si não é um pecado, mas é uma consequência dele. Nós tendemos para o pecado. Assim, com esse coração pendendo para o pecado não temos condições de nos

apresentar diante de Deus, todo Santíssimo! Pode ser algo desesperador, mas é mais que isso: é uma imensa atitude da misericórdia divina, que nos quer limpar para o possuirmos em plenitude.

Lutero achava que a fé disfarçaria os pecados e assim todos entrariam no céu. A fé católica ensina que nós precisamos nos purificar antes de nos encontrarmos e possuirmos a Deus plenamente. Devemos buscar essa purificação enquanto temos tempo nessa vida. Santa Catarina de Gênova falava sobre o drama que existia dentro de nós por conta do pecado. Ela foi transverberada pelo amor de Deus, que mostrou as suas faltas. Por meio dela, Deus ajudou a Igreja a compreender que o Purgatório é um fogo interior, um fogo na alma. É um estado da alma que compreende o quanto foi amada e quanto não correspondeu. Se já na Terra vivermos a penitência, os sacrifícios, as contrariedades, evitaremos o estado do Purgatório. A penitência não é para pagar os pecados, mas para nos fazer reconhecer a nossa miséria e nos unir a Cristo.

Precisamos, dessa forma, aceitar os sofrimentos e contrariedades que nos vierem e uni-los a Cristo.

Aqui entra uma realidade muito bonita da nossa fé! Nós rezamos no Credo: “Creio no Espírito Santo, na Comunhão dos Santos, na Santa Igreja Católica…”. Na comunhão dos santos temos os três estados da Igreja de Cristo: a padecente (purgatório), a militante (nós que ainda lutamos) e a triunfante (Céu). Aqueles que estão no purgatório já não podem fazer mais nada para sanarem suas faltas, por isso, contam com nossas orações, com a nossa caridade, para assim gozarem da Presença de Deus eternamente. Imaginem que legal quando entrarmos no Céu e abraçarmos aquelas almas que rezamos durante a nossa vida! Um dia seremos

nós que abraçaremos os que rezaram por nós! Eis um belo ato de misericórdia que a Igreja sempre o fez desde os primeiros séculos.

  1. O inferno

CIC, 1033: Não podemos estar em união com Deus se não escolhermos livremente amá-Lo. Mas não podemos amar a Deus se pecarmos gravemente contra Ele, contra o nosso próximo ou contra nós mesmos: «Quem não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida: ora vós sabeis que nenhum homicida tem em si a vida eterna» (1 Jo 3, 14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados d’Ele, se descurarmos as necessidades graves dos pobres e  dos pequeninos seus irmãos (629). Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d’Ele para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».

Pois bem! Não se ama a Deus de forma obrigatória. Antes, amá-lo é uma decisão livre. Aqueles que escolheram por uma vida longe dEle receberão o que tanto buscaram aqui. Contar a história de São Bruno. O amor de Deus e a existência do inferno não são contradizentes. É um Revelação divina. Precisamos crer no que Cristo e a Igreja nos ensinam. O inferno existe não porque Deus falhou. Antes, o inferno existe porque usamos mal a nossa liberdade e, muitas vezes, escolhemos não corresponder ao amor de Deus.

O pior sofrimento que existe no inferno é a ausência de Deus, a desgraça de estar separado dEle. A alma que o negou durante a vida não possuirá distrações que “minimizem” a ausência de Deus como fazemos na Terra. Muitas vezes temos o nosso coração vazio de Deus e tentamos preenche-lo com distrações (redes sociais, promiscuidades e todo tipo de pecado). Porém, no inferno a pessoa contempla o seu eterno “Não” a Deus, a possibilidade de o ter amado e não ter feito isso. As almas que se encontram em total afastamento de Deus sofrem por saberem que o Senhor ainda as ama. Enquanto nós somos consolados com esse pensamento quando pecamos, elas sofrem, são atormentadas.

Meus irmãos, no inferno o SOFRIMENTO É ETERNO! Não acabará jamais! E isso é muito sério. Esses dias uma pessoa me disse que não teme o fogo do inferno. Dizia-me que, se o inferno existe, ela se adaptaria, como o faz com os sofrimentos dessa vida. Um absurdo, meus caros! Vejam, Nossa Senhora de Fátima veio ao encontro de três crianças para alertar aos homens sobre os perigos do inferno:

“Muitas almas vão para o inferno por não ter quem reze por elas”. Isso deveria ser motivo de reflexões de nossa parte. Que tipo de vida temos levado? Precisamos ser responsáveis com as nossas escolhas, usar o precioso dom da liberdade para honrar e amar ao Nosso Senhor Jesus Cristo. E Jesus sempre nos alerta: Orai e vigiai, pois não sabeis o dia e nem a hora!

Essas coisas não devem nos dar medo! O ÚNICO medo que devemos ter é de perder a amizade de Deus… Se temos o desejo reto de amar a Deus e nossos irmãos, Ele agirá com misericórdia. Mas sejamos verdadeiros, pois não há misericórdia sem verdade. Tu podes enganar-se ou enganar as outras pessoas, mas Deus tudo conhece e não pode ser enganado. Ele sabe o que está nos recônditos de tua alma e lhe dará os frutos por suas obras. Então, coragem: Deus quer ser contemplado eternamente, quer ser possuído por mim e por ti na glória eterna. Por isso, fuja do pecado, que é justamente aquilo que nos afasta de dEle. Tenhamos em mente que o pecado – sobretudo o pecado mortal – nos faz viver já aqui na Terra o inferno.

Temer ofender a Deus pode ser bom para agirmos da forma mais adequada!

Meus caros, nós merecemos o inferno, pois pecamos. Porém, Cristo mereceu o Céu por nós e, pelo batismo, morremos com Ele para ressuscitarmos na vida eterna. Isso deve nos fazer lembrar das passagens “esforçai-vos para passar pela porta estreita” (Lc 13, 22-30), pois valemos o Sangue de Deus!; “se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, secará e hão de ajuntá-lo e lança-lo ao fogo e será queimado” (Jo15, 6). Assim como na história de São Bruno, não podemos fazer as coisas para Deus, mas sem Ele. Reforço: O medo que nós devemos ter nessa vida é de perder a amizade com Deus! Ao contrário do que se poderia pensar, corajoso e forte não é quem não tem medo. O medo faz parte da natureza humana e, dirigido às coisas certas, pode ser bastante vantajoso, inclusive para a vida espiritual. O temor do Senhor, que o autor sagrado diz ser “o princípio da sabedoria” (Pr 9, 10), é consequência direta do verdadeiro amor que devemos a Deus: se verdadeiramente O amamos, também tememos perder a sua amizade, a sua presença em nossa alma. Já que, como lembra Santo Afonso de Ligório, “a vida presente é uma guerra contínua com o inferno, na qual corremos, a cada instante, o perigo de perder a Deus”, Ele nos concede a virtude da fortaleza, que ordena os nossos medos e nos ajuda a dizer “não” ao mal e ao pecado.

O que faz o “politicamente correto”, por outro lado? Dirige o medo que deveria ter de ofender Jesus aos afetos humanos, teme antes a inimizade dos homens que a de Deus, transforma o

“temor do Senhor” em “temor do mundo”. Esta ética frívola condenada por tantos de nossos contemporâneos é análoga àquela atitude que os cristãos chamam de “respeito humano”. O medo maior desta pessoa é perder o prestígio da opinião pública, dos seus fãs; ela é torturada a todo instante imaginando o que as pessoas vão pensar. Em geral, as pessoas creem em Deus! O próprio demônio sabe, crê na existência de Deus. O problema é que isso não leva ninguém à felicidade eterna. Crer em sua existência é o princípio da fé, mas no final só restará o amor! Não podemos só crer em Deus, precisamos amá-lo com todas as forças de nosso ser! Para ir para o inferno, basta não fazer nada. Para ir para o Céu é necessário fazer algo.

O inferno daqueles que vivem em pecado se inicia antecipadamente aqui nesta vida. Muitas vezes passamos por isso, não? Quando ofendemos a Deus, a primeira coisa que fazemos é nos afastar da vida de oração, deixar de assistir a Santa Missa, de ler as Sagradas Escrituras… Se não nos atentarmos, vamos cavando covas cada vez mais profundas para nós mesmos, nos enganamos com a falsa paz do mundo, somos infelizes, amargos, negamos toda espécie de verdade. Assim, irmãos, para não cairmos nesse erro, nessa tragédia, precisamos pedir ao Senhor que aumente a nossa fé em Deus, em Cristo, na Igreja e também no pecado! Infelizmente há muitos que hoje dizem não existir pecado. Tenhamos em mente que a mais simples situação de nossas vidas requer de nós uma decisão que nos fará apóstolos ou apóstatas. Se colocamos as mãos no serviço de Deus, não voltemos atrás, não nos deleitemos com a vida de pecado que estávamos outrora! Coragem! Mesmo que te persigam nos lugares em que estiverdes. “Como já tinha dito o Papa Bento XVI em sua visita ao Reino Unido [2], “na nossa época, o preço que deve ser pago pela fidelidade ao Evangelho já não é ser enforcado, afogado e esquartejado, mas muitas vezes significa ser indicado como irrelevante, ridicularizado ou ser motivo de paródia”.”

  1. Juízo final

Meus irmãos queridos! A Santa Igreja nos ensina que todos nós teremos nossos corpos ressuscitados no último dia, num juízo universal, por ocasião da segunda vinda de Cristo, a parusia! Queira Deus – e nós também – que estejamos entre aqueles que foram fiéis, que O possuirão eternamente em gozo que não terá fim! Quando ressuscitarmos, gozaremos também em nossos corpos – não somente na alma – da grande alegria de ter buscado a fidelidade ao Deus que se derramou por nós na Cruz. Por outro lado, todos aqueles que foram condenados por livre e espontânea vontade ao fogo do inferno, também ressuscitarão, só que para sofrer eternamente longe de Deus e de seus servos. No dia do juízo final, será revelada a toda humanidade as consequências de todos os nossos atos. O que eu fiz de bom e ruim e quais as consequências disso… Tudo será revelado. Oremos, pois talvez tenhamos muitas coisas para nos envergonhar! Porém, a partir de agora teremos muitíssimas coisas a

oferecer a Deus, muitas boas obras que Ele poderá realizar em nosso coração aberto à Sua graça!

  1. Catecismo da Igreja Católica – 988 à 1060
  2. O que ensina a Igreja a respeito do Purgatório? – https://www.youtube.com/watch?v=qF1xr6QvlWo
  3. Ou mártires ou idólatras – https://padrepauloricardo.org/blog/ou-o-martirio-ou-o-inferno
  4. O amor de Deus e a existência do inferno – https://padrepauloricardo.org/episodios/se-deus-e-amor-porque-o-inferno-existe
  5. O pecado mortal é o inferno antecipado – https://padrepauloricardo.org/blog/pecado-mortal-infernoantecipado
  6. A “escada do Paraíso” de São João Clímaco https://padrepauloricardo.org/blog/sao-joao-climaco-e-aescada-do-paraiso
  7. São Felipe Néri: “Eu prefiro o Paraíso” – https://padrepauloricardo.org/episodios/sao-felipe-neri-prefiroo-paraiso
  8. E se hoje fosse o dia da sua morte? – https://padrepauloricardo.org/blog/e-se-fosse-hoje-o-dia-da-suamorte