Juliana Rocha Mendes Pedreira

Campinas, 2019

 “Não temais, eis que vos anuncio uma Boa Nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor ” (Lc 2, 10-11).

O mês de dezembro traz consigo o clima de confraternização, o clima familiar e de gratidão pelos aprendizados e conquistas do ano que se passou. Mas, sem dúvidas, o motivo que torna esse mês tão especial é a vinda do nosso Salvador no dia de Natal. Muito mais que uma data para trocar presentes ou conviver com os amigos, o Natal é para nós a Boa Nova da vida eterna, do acesso ao céu. O menino Deus que abre os portões celestes para nossos corações nasceu!

Desde a manjedoura, Jesus nos mostra que a santidade está em ser o que Deus espera de nós, independentemente das circunstâncias. Sendo Deus encarnado, poderia ter nascido em berço de ouro, ou em casa de família, ou ainda, nem nascido, mas salvado o mundo inteiro de seu reino celeste. Mas Ele veio, para que vejamos como é que se faz para alcançar a santidade. Obviamente, o convite para a santidade que recebemos do Deus menino no dia de natal desperta  em nós certo incômodo, o incômodo gerado pelo pelo abandono de vícios a ser realizado.

Recordemo-nos que a vinda de Cristo Salvador ao mundo não agradou a todos, Herodes se incomodou com ela, justamente porque a vinda de um salvador exige de nós mudança interna, exige que nós abracemos a salvação. Atualmente, não nos inclinamos mais diante da manjedoura para exclamar unidos: “Glória a Deus nas alturas e paz aos homens de boa vontade”, almejamos a paz, mas não para os homens de boa vontade, mas para todos os homens, independentemente de más condutas e religiões, com a justificativa de que é necessária uma tolerância absoluta quanto a tudo e a todos (1).

Dessa forma, a vinda de Jesus têm perdido relevância, já que acreditamos que qualquer religião é garantia do céu. Mas isso senhores, é uma grande ilusão. Essa paz que buscamos, onde a verdade é relativa, onde a vinda do Senhor é irrelevante, não vem de Deus, mas de uma frouxidão espiritual. De fato, uma humanidade morta espiritualmente não se incomoda com nada. No entanto,  nós estamos vivos! Vivos para amar! Vivos para nos incomodar. Deus não quer nos fazer sofrer, quer nos fazer alegres, mas a alegria do nascimento pressupõe as dores do parto. Nossa Senhora não sentiu essas dores, mas para nós que não somos imaculados como ela, é necessário que passemos também pelas convulsões do nascimento de nosso Senhor em nossos corações (1).

Jesus quer nascer nos nossos corações nesse natal, nos próximos natais e em todos os natais de nossas vidas. Existe em nós uma inclinação à pastor que se alegra com a boa nova anunciada pelos anjos e outra inclinação à Heródes que se agita e manda matar o menino(1). Vivemos um combate em nossos corações, precisamos nos levantar e lutar bravamente.

Levantemo-nos meus irmãos, alegremo-nos! Vamos até a manjedoura contemplar o menino Deus que nos Salva! Vinde e adoremos, Ele nos chama! Ele chegou! Chegou o momento do parto, acalmemos o Heródes dentro de nós, coragem! Vamos seguir em procissão até Belém, para que nasça em nossos corações o Cristo Salvador.

 

Referências Bibliográficas: